A cozinha é dos homens!

Postado por em 17 out, 2013 em Comida Caseira, Slideshow | 0 comentários

Quatro amigos preparam uma saborosa refeição enquanto se divertem e conversam sobre diversos assuntos. Esse é o clima do programa “Homens Gourmet”, que vai ao ar pelo canal de TV a cabo Bem Simples, todas as segundas-feiras, às 22h.

A mistura de culturas e tipos de culinária é o tempero da atração apresentada pelo paulistano Carlos Bertolazzi, especialista em comida italiana; pelo carioca Dalton Rangel, que apresenta pratos internacionais variados e muito apetitosos; pelo alagoano Guga Rocha, com enfoque na gastronomia regional de diversos países e Estados; e pelo capixaba João Alcântara, que trabalha com refeições saudáveis.

No ar em sua quarta temporada, o “Homens Gourmet” começou em 2010 com um traço bem mais técnico e foi sofrendo alterações desde o perfil até o elenco. “Era um programa de gastronomia como qualquer outro que se vê na televisão brasileira, mas acho que o grande diferencial veio quando achamos essa ‘pegada’ um pouco mais divertida e ao mesmo tempo com conteúdo”, explica Dalton Rangel, que participou de todas as temporadas juntamente com Carlos Bertolazzi.

Com grande aceitação do público, a formação atual é a primeira que se repete e, se depender de seus integrantes, permanecerá ainda por mais tempo, afinal, a amizade não é apenas em frente às câmeras, mas algo cultivado por eles do lado de fora dos estúdios de gravação.

O grupo recebeu a equipe da revista Em Dia Gourmet com muita simpatia e o clima de descontração é até maior quando as câmeras estão desligadas. “Deveria ter um Homens Gourmet After Midnight (Depois da meia-noite) com o que nós falamos nos bastidores”, brinca Guga Rocha. Confira a entrevista exclusiva com os quatro chefs!

 

Em Dia Gourmet – Essa é a primeira vez que o elenco todo vai se repetir. Na opinião de vocês, qual o segredo desse sucesso?

Carlos - Acho que o grande ganho da terceira temporada para a segunda foi o fato de deixarem os microfones de todos abertos. Então, como a nossa interação é muito natural, é óbvio que surgem algumas piadinhas e, se o microfone não está aberto naquela hora, nós perdemos.

Guga - Outra vantagem também é que são quatro caras que conseguem ‘tirar onda’ um do outro sem que ninguém fique irritado. E isso desmistifica essa coisa do cozinheiro infalível. Sabe essa coisa de tudo perfeito? Não tem isso, nós erramos também. Eu não, eles erram muito! (risos)

Carlos - Tem uma cena em que o Dalton foi temperar e o sal caiu no fogão inteiro, menos no prato. Aí, brincamos: “Gente, isso aí é aço temperado”. E o cara não se irrita com a brincadeira e fala: “Oh! Se liga, e na tua receita, que você explodiu o liquidificador!”. Nós ‘tiramos sarro’ o tempo todo.

 

EDG – O público do programa é masculino?

Guga - Deus me livre! (risos).

Carlos - Dá para perceber pela interação nas redes sociais que são mais mulheres. Até os homens, quando comentam, escrevem algo mais ou menos assim: “Eu sei que vai soar meio gay (risos), mas adoro o programa de vocês”. É sério! São sempre assim os comentários. Mas tem muito homossexual que assiste também. Muito mesmo!

João - E é engraçado porque tem vários públicos: têm senhorinhas, mocinhas…

 

EDG – Vocês já souberam de casos de pessoas que nem cozinhavam e começaram por causa do programa?

Carlos - Tem gente que até está fazendo gastronomia!

 

EDG – Cada integrante apresenta um tipo de culinária diferente. Isso foi determinado pela direção ou já vinha da trajetória pessoal?

Guga - A cozinha representa a situação atual de cada um. A trajetória de vida nos leva a lugares e situações que nos ensinam. Viajamos ‘pra caramba’ e agora mesmo voltei de uma viagem, aprendi ‘uma porrada’ de coisas que não sabia e isso vai fazer parte da minha cozinha. E ao mesmo tempo existe também a nossa evolução como pessoa. Porque a cozinha é uma representação física do que se é por dentro. Quando alguém vai fazer um prato para outra pessoa, busca uma receita da sua raiz. Também tem uma coisa da memória. Quando eu era ‘pivete’, minha mãe falava muito a frase do Lavoisier: “nada se cria, tudo se transforma”. Então ela criava pratos com sobras e faço muito isso na minha cozinha. Já o João é atleta e trabalha com atleta, então essa coisa da cozinha saudável está nas receitas dele.

João - A comida, quando não é feita com verdade, cansa. Sou um pouco ‘verde’ na cozinha e prefiro fazer um prato com produtos que consigo expressar bem o que eu estou vivendo no momento do que tentar inventar uma coisa que não sou eu.

 

EDG – Com relação aos pratos, vocês acreditam que existem diferenças entre as preferências masculinas e femininas?

Dalton - Acho que a mulher é muito mais para o doce e o homem é para o salgado. Já começa por essa premissa. E depois, a mulher faz uma comida mais leve, está sempre procurando um peixinho, uma coisa grelhadinha e o homem já vai para uma coxinha, para fritura… Fora que tem muito do estilo de vida também. Existe mulher que adora tomar uma cerveja e comer uma coxinha, mas a maioria evita bastante porque sabe que a gordura vai para um lugar diferenciado.

João - Também quanto ao servir, nós erramos muito em quantidade para mulher.

Guga - Como sabemos dessas diferenças, fazemos composições no programa e até interferimos em como vai ser o episódio, falando: “Vamos trocar esse prato e colocar o outro porque vai ter mais a ver com o menu”. E o programa termina sendo um ‘menuzinho’ que o cara pode assistir e fazer em casa. Tem prato principal, entrada e sobremesa.

 

EDG – E na opinião de vocês, qual a principal diferença entre homens e mulheres na cozinha?

Dalton - O homem está trabalhando mais na cozinha profissional e a mulher mais na doméstica. Não é preconceito nenhum, tem a Helena Rizzo, a Mônica Rangel, a Roberta Sudbrack, a Bel Coelho, algumas mulheres figurando entre as melhores do País, mas se você for pegar a história da Europa, os melhores cozinheiros sempre foram homens.

Guga - Acho que o homem tem que estar na cozinha em todo o lugar e a mulher tem que ser servida!

Dalton - Assino embaixo também!

Guga - É sério mesmo! Acredito que a mulherada antes ficava na cozinha basicamente por obrigação, mas se você parar para pensar é uma coisa masculina, uma coisa pesada, é quente! A mulher é um ser mais intelectual.

Dalton - Frequentando os restaurantes, hoje em dia é raríssimo você achar uma mulher na função de cozinheira. Na função de chef você consegue achar algumas, que é mais delegar do que estar ali no batente mesmo.

 

EDG – Vocês acham que pelo fato de o homem não ter aquela ‘obrigação’ de ir para a cozinha, ele acaba achando nela um prazer?

Guga - É uma inversão natural de acontecer. Na Idade Média não existia televisão, então, cozinha era o espetáculo feito pelos cozinheiros. Depois da Evolução Industrial, a mulher começou a ser mais segmentada no lar, ficava em casa e tinha que cozinhar para o marido. Então, quando ela se liberou disso falou: “Não quero mais e não vou mais fazer, não quero nem aprender”. A mulherada hoje não sabe fazer mais nem brigadeiro. Se você parar para pensar, o homem era o cozinheiro e a mulher era a coletora. O homem saía para caçar, trazia o animal, limpava e assava. A mulher colhia frutas, raízes e fazia a composição. É legal quando tem homem e mulher na cozinha, adoro cozinhar junto com mulher, acho o máximo.

João - A cozinha profissional do modo que ele falou tem um trabalho muito pesado, é cansativo para mulher. E é um ambiente que, como você trabalha muitas horas e é muito desgastante, a mulher precisaria, assim, de um muque.

Dalton - Cara, se você for pegar as panelas da cozinha desses hotéis, você não tem noção o que é uma panela daquela, é muito pesada! Fora que é um ambiente muito sacana, não é feminino.

João - É a mesma coisa que a mulher querer trabalhar como pedreiro (risos). E aí é o que o Guga falou, esse lance de que o homem também está querendo dominar a cozinha caseira porque a mulher tem que ser servida. É hora de nós entregarmos alguma coisa a elas.

Guga - E a maior forma de amor que existe é você fazer comida para alguém, alimentar o outro. Você vai gastar seu tempo, se dedicar a uma coisa que dá trabalho, apesar de sempre fazermos receitas práticas e básicas. Mas mesmo assim, você tem que cortar a cebola, o alho…

João - Nós temos namoradas que têm uma qualidade: todas elas gostam de comer muito bem. Acho que mais do que gostar de cozinhar é gostar de comer. Eu trabalho, chego em casa e cozinho todo dia, mesmo cansado. Se minha namorada estiver em casa, vou fazer comida para ela. Esse negócio de mulher de dieta é um saco! (risos)

 

EDG – Para finalizar, gostaria que deixassem segredos culinários bem simples para os nossos leitores.

Guga - Para descascar o alho, coloque-o no micro-ondas durante cinco ou sete segundos e a casca sai inteirinha. Vamos de alho?

João - Você passa o dedo em uma torneira de metal, que sai aquele cheiro forte.

Carlos - Em muitas preparações é bom colocar o alho inteiro, usá-lo só para aromatizar e depois retirar. Na cozinha italiana se faz muito isso, nós esmagamos o alho e jogamos no molho para pegar o sabor e depois tiramos. Fica só um toque do alho e não a presença física dele.

Dalton - É bom abrir o alho no meio e tirar o coraçãozinho verde para não ficar aquele gosto que permanece na boca horas depois, aquilo que fica ‘conversando’ com você.

 

Clique abaixo para conferir receitas dos “Homens Gourmet”:

 

Peixe Tropical

 

 

Focaccia de Carpaccio

 

 

Luxúria

 

 

Homens Gourmet
Canal Bem Simples, TV a cabo. Todas as segundas-feiras,
às 22h com reprises em horários alternativos.
www.bemsimples.com/homensgourmet

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